Algumas notícias que recebemos nos fazem pensar no quanto a vida é passageira e no quanto somos frágeis. Outro dia, soube por uma amiga de infância que seu diagnóstico era preocupante. Por conta disso, ela terá que levar uma vida mais limitada para poder ter qualidade de vida — no tempo de Deus.
Não cabe aqui explicar a doença, mas sim o momento em que isso aconteceu. Ela é uma mulher madura, linda, avó e cheia de vida. Sempre acolheu a todos quando preciso e sempre tem uma palavra amiga para dizer, mesmo quando o silêncio é a melhor saída.
Lembrei-me de quando éramos crianças e nos reuníamos na casa dela para contar fofocas, escutar músicas ou fazer planos para o futuro: fazer faculdade, casar e ter filhos. Éramos três amigas inseparáveis; hoje, somos três mulheres maduras, com vários sonhos de infância realizados e muitos outros ainda por realizar. Mas por que a vida nos prega esse tipo de peça?
Revoltada, a primeira coisa que pensei foi no quanto a vida é injusta. Por isso, resolvi escrever esta crônica. Não para chorar — mesmo com os olhos cheios de lágrimas e o coração apertado —, mas para mostrar o quanto a vida é maravilhosa. Devemos dar importância às pequenas coisas do dia a dia, pois é nelas que registramos nossas melhores memórias. Devemos aprender a sentir o cheiro das flores, a olhar as folhas das árvores caindo no outono e até mesmo a amar o cinza do inverno. Isso nos mostra que temos fases em nossas vidas, e precisamos aprender a passar por todas elas, porque é nelas que é forjada a nossa vontade de vencer.
Ter medo é inevitável. Eu mesma estou com medo de perder uma amiga que tenho há tantos anos. Mas desistir jamais esteve no meu vocabulário, e tenho certeza de que no dela também não. Por outro lado, está liberado gritar, chorar, rir, beber e viajar com as amigas, ou simplesmente ficar em silêncio. Em cada um desses momentos, estarei ao seu lado.
Essa irmã que o destino me entregou poderá contar comigo para segurar o guarda-chuva ou dividir o cobertor, até que as várias primaveras retornem.





