Esta semana, uma Trend invadiu as redes sociais, a Trend dos anos 80. Fiquei pensando por que tanta gente quer ver como seria sua foto ou seu vídeo dos anos 80. Foi aí que percebi que não eram só as fotos ou os vídeos. Era experimentar o que uma geração viveu, viveu uma boa música, boas amizades, bons namoros no portão. Não existiam celulares e nós conseguíamos marcar um encontro e, na hora exata, estávamos lá, sem localização, sem avisar que estávamos chegando. Acho que a magia era essa, será que a pessoa vem?
E as músicas dos anos 80? Foram as melhores, tanto que muita gente está regravando boa parte delas. Os cantores tinham voz afinada e eram muitos, tocavam bateria e uma guitarra que faziam o povo se arrepiar, sem ajuda eletrônica, apenas o talento.
A mágica da imagem não está na tecnologia que a produziu, mas no abraço acolhedor que ela entrega. Há um charme irresistível na imperfeição do passado. Estamos em uma época em que tudo é instantâneo e descartável. Lembra o tempo em que as fotos não ficavam presas na nuvem, mas repousavam em álbuns de capa dura, guardados no fundo da gaveta, com cantos levemente amarelados e cheiro de papel guardado.
Para quem, assim como eu, viveu aqueles dias, a foto alterada é uma ponte direta para a memória do sofá de veludo vermelho, da vitrola laranja na sala e das tardes sem pressa. Para os mais jovens, é uma viagem no tempo para um mundo que eles só conhecem pelas telas, mas pelo qual sentem uma estranha e fascinante saudade. É o desejo de experimentar, mesmo que por um instante, a leveza de uma vida inteira vivida no modo analógico.
Confesso que fiquei fascinada por essa Trend, não por modinha, mas por ver um suspiro coletivo na tentativa poética de colocar um pouco de alma, calor e alegria em dias sem cor. O irônico de tudo isso é pensar que precisamos de algoritmos tão frios para nos recordar da época em que a vida era verdadeiramente aquecida pelo afeto.





