Crônica: Então eu sentei e chorei

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Parece cena de filme, mas não é. É a vida real. Há mais de um ano, decidi aceitar o desafio de correr na rua e me apaixonei. Mal sabia eu que o destino diria: “Hei, pera aí, vai não”, ou melhor, que os meus joelhos iriam reclamar.

Comecei a sentir dores, mas acreditei que o desconforto para quem corre era normal, até que, depois dos treinos, os joelhos inchavam a ponto de eu quase não conseguir dobrá-los. Fazer exercícios básicos do dia a dia, como subir escada ou levantar da cadeira, tornou-se quase impossível.

Procurei o médico Dr. Volnei Correia, lá da CliniTrauma. Me indicaram por ser o melhor, e é. Fiz raio-X, ressonância magnética, e o diagnóstico veio: osteoporose grau 1, condropatia patelofemoral e, de bônus, um cisto de Baker de 8 cm no joelho esquerdo. O Dr. Volnei, muito atencioso, disse que não preciso parar de correr, mas que será em menor volume e minha evolução será bem mais lenta ou seja, quase nada. Passei do pace 8 para o pace 10.

Na verdade, eu corria para cansar o corpo e descansar a mente. Gosto do que a corrida faz comigo, e terei que me adaptar. Tenho alternativas como o ciclismo e a natação, o objetivo é não parar completamente, só irei diminuir o ritmo e praticamente caminhar, trotando 1 km e caminhando 4 km.

Confesso que estou arrasada. Depois desse diagnóstico, calcei meu tênis e fui para o asfalto. Andei no pace 10 por 5 km e, na volta, sentei e chorei. Sim, chorei. Chorei porque fiquei frustrada, chorei porque me senti incapaz. Foi aí que entendi que corrida me mostrou que posso ser forte, mas também me ensinou que a verdadeira força não está em nunca cair, mas em ter a coragem de amarrar o tênis de novo no dia seguinte.

Depois de chorar, entendi que diminuir o pace para 10, trocar o trote pela caminhada firme ou alternar com a bike e a natação não é o fim da linha. É apenas a curva onde uma atleta madura e resiliente aprende a respeitar o próprio corpo sem nunca perder a alma de corredora. As lágrimas lavam a frustração, mas o coração continua batendo no compasso da superação. Então eu levantei, sacodi a poeira e lembrei, o pace pode até mudar, mas a minha vontade de ir longe continua exatamente a mesma, e a minha melhor crônica, com certeza, ainda está sendo escrita no asfalto.

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