Outro dia tive que ficar esperando minha cabeleireira abrir o salão para ser atendida. Cheguei antes da hora: o horário estava marcado para as 9h20, e eu, às 8h15, já estava no local. Nunca chego tão adiantada, até porque a vida é uma correria, mas tive que deixar meu marido no trabalho e, portanto, não valia a pena voltar para casa; então, fiquei esperando.
Resolvi pegar um café na cafeteria mais próxima e aguardar no carro. Foi quando comecei a observar as pessoas que passavam por mim. Passou uma avó apressada com seu netinho de, no máximo, 6 anos, que carregava sua mochila nas costas. A avó, amorosa, segurava pacientemente o neto pela mão, e o garotinho, feliz, tentava contar as lajotas no chão ao pisar nelas pulando.
Depois, vi do outro lado da rua um rapaz estacionar a moto rapidamente. Ele, com não mais que 30 anos, foi deixar uma moça — que deveria ser sua esposa ou namorada — para trabalhar. Ela até tentou dar um beijo de despedida, mas ele arrancou com a moto antes mesmo de ela conseguir. Vi nitidamente o desapontamento em seu rosto enquanto ela seguia em frente.
Depois, vi um casal passeando com seu cachorrinho, algo que parecia ser corriqueiro: levar o cãozinho logo cedo para dar sua volta matinal. O casal estava sorrindo; ela, contando alguma façanha, e ele, prestando atenção nos dois — tanto no cachorrinho, que parava para cheirar tudo o que via, quanto na mulher, que deveria ser sua parceira. Ele estava atento aos dois.
Eu segui tomando meu café, sem olhar o celular, apenas observando o mundo — coisa rara hoje em dia. Ouvi o cantar dos pássaros, vi as folhas caindo no chão e observei a correria das pessoas em mais um dia normal de semana.
Foi quando percebi que a vida é isso mesmo: alguns começando o dia sorrindo, outros se desapontando logo pela manhã, mas todos tocando suas vidas. Percebi que o pior erro não é tropeçar no caminho, mas estacionar nele. Arrepender-se de uma atitude é humano, mas permanecer no arrependimento sem sair do lugar é uma armadilha terrível.
Aquelas pessoas, cujos nomes e histórias eu desconheço, me deram uma grande lição em menos de uma hora. Elas me lembraram que o mundo não para para curar nossas frustrações ou celebrar nossas alegrias; a vida simplesmente flui. E cabe a nós engatar a primeira marcha, tomar o nosso café e continuar caminhando.
Quando o relógio finalmente bateu 9h20 e a porta do salão se abriu, eu já não era a mesma que havia chegado na pressa das 8h15. Eu estava mais leve, mais atenta. Era hora de descer do carro e viver o meu próprio dia.




