“Correr na rua é tipo dar um rolê com a alma.” Arrisco-me a dizer que, durante o percurso, o corpo cansa, a mente desacelera e a alma encontra a paz. Muita gente começou correndo atrás de um resultado e acabou, assim como eu, encontrando um recomeço.
Quando me perguntam o que aconteceu para eu me apaixonar pela corrida, digo sem hesitar: “A corrida te ensina, em alguns quilômetros, o que muita gente leva anos para entender: você não chega do outro lado fugindo do desconforto; você chega atravessando-o.”
A corrida é algo que não dá para enganar. É apenas você e ela — um desafio pessoal, uma relação de amor e ódio. O incrível é que a melhor parte da corrida, muitas vezes, é tudo o que ela resolve na sua mente. Você não corre para viver mais; corre para se sentir vivo, para se sentir capaz, para vencer seus medos, o cansaço e, principalmente, a sua própria capacidade de chegar. Não em primeiro lugar, mas chegar. Porque cada corrida é uma conquista, independentemente da velocidade e do tempo.
E talvez seja exatamente isso que esteja faltando no seu dia: a coragem de cruzar a sua própria linha de partida. A rua não exige experiência, não pede permissão e não julga o seu ritmo. Ela só precisa que você apareça.
Então, faça um favor a si mesmo: deixe as desculpas na porta de casa, amarre os tênis e vá encarar o asfalto. Vá descobrir do que o seu corpo é capaz quando a sua mente decide não desistir. Não corra pelos outros; corra por você. O recomeço que você procura está a poucos passos de distância. Coloque os pés na rua e vá. Porque, no final das contas, o único quilômetro que realmente muda a sua vida é aquele que você decide começar.





