Sou uma pessoa apaixonada por época de política, trabalho há muitos anos e confesso que, este ano, as eleições estão atípicas e silenciosas.
A começar pelos wind banners, não que não sejam necessários, mas desumanizaram a campanha. Aquelas mocinhas que estavam sempre sorrindo e chacoalhando as bandeiras nas esquinas não existem mais, pois os candidatos preferem pagar, em média, R$ 230 reais em um wind banner que dura a campanha inteira, saindo muito mais barato do que contratar pessoas.
Não vejo mais a empolgação que tínhamos, aquela paixão por ter esperança, nem mesmo os candidatos preocupados com os eleitores. Hoje a preocupação é com a Justiça, pois tudo “não pode”, tudo ofende, tudo é contra as novas regras. Sabe aquele “olho no olho” com o eleitor? A Justiça, aos poucos, está retirando dos candidatos. Além disso, há candidato mais preocupado em ferrar o oponente do que em mostrar suas próprias propostas. O eleitor está cansado de baixarias, ele quer ouvir o que o candidato tem a oferecer para mudar sua vida para melhor.
Outra coisa para a qual não podemos fechar os olhos é o posicionamento de alguns candidatos. Santa Catarina é o estado mais conservador e de direita do Brasil, o candidato que ficar em cima do muro não se elege as urnas e os traidores já mostraram isso.
Nunca fui tão procurada para entregar santinhos com a “colinha”, cerca de 80% a mais do que nas últimas eleições. As pessoas sabem o que não querem nos candidatos ou repudiam alguns partidos, mas também não querem perder tempo em meio a tantas fake news e brigas. Preferem confiar no posicionamento político de quem respeitam, a ter que ficar investigando cada candidato. Com isso, o silêncio imperou. Nem parece que estamos a menos de uma semana de uma grande eleição.
Trocaram o calor do abraço e o sorriso na esquina pelo tecido frio dos banners, mas se esqueceram de um detalhe, a democracia não se faz com plástico, se faz com gente. O silêncio das ruas não é desinteresse, é a calmaria que precede a resposta das urnas.




