Crônica: Estamos criando uma geração cruel e “mimizenta”

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Antes de ser “tachada” de irresponsável, ou ditadora, ou até mesmo insensível, eu digo que sou dona minha vida, da minha opinião e se você achar que minha crônica hoje foi forte, a ideia é essa mesmo, talvez assim eu possa despertar o grande pai e mãe que existe em você, ou quem sabe vocês filhos que acham que sabem de tudo, possam olhar para seus pais e ver e entender o quanto todos eles em algum ponto da vida ou sua vida inteira, se sacrificaram por vocês.

Filhos são a continuação da nossa existência, do nosso amor incondicional, da nossa esperança. Nenhum filho nasce com manual de instrução, vamos entendendo como tudo funciona ou longo da criação deles e nenhum filho é igual ao outro, mas não é isso que esperamos, quando ESCOLHEMOS TÊ-LOS, já sabemos que iremos amá-los infinitamente, alguns pais têm o talento de demonstrar mais e outros menos, mas nem por isso, amam menos, independente de quantos filhos se tem.

O problema é esse amor incondicional, permissivo e muitas vezes cego, não percebemos o quanto protetores nos tornamos, ao ponto de esses filhos, terem tudo no piscar de olhos, damos dentro do possível o melhor de nós, melhores estudos, melhores presentes, sacrificamos viagem, roupas e até aquela máquina nova de lavar roupas, para dar um carrinho ou uma boneca que brilham seus olhinhos ao ver na propaganda.

Lutamos como leões se alguém na escola pratica bullying, ao invés de deixar eles resolverem sozinhos. Fazemos tudo o que for preciso para arrancar um sorriso de nossos filhos, somos protetores, mas tão protetores que esquecemos o principal, que um dia não estaremos mais aqui e isso é o natural da vida, ensinamos o certo e o errado, mas eles ganharam tudo de “mão beijada”, muitos não sabem dos sacrifícios que os pais fizeram, e nem se importam, porque acham que são o centro das atenções, não aprenderam a lidar com o “NÃOS” não pode, não vai, não faça, não quero, não gosto.

Criamos uma geração que chora ao ver um animal sofrendo, mas são a favor do aborto, a favor de matar a própria espécie como se fosse natural, criamos uma geração que não quer comer carne e não quer que ninguém coma, uma geração que não tem limites, mas quer impor limites a todos, criamos uma geração cruel e dona da razão.

Criamos uma geração fraca, mimizenta, “reclamona”, mas inteligente, porém sem noção e perspicácia da vida, uma geração que pode tudo, mas não faz nada, que culpa os pais, os amigos, os professores pelos seus fracassos, mas não tem a capacidade de enxergar que a culpa e escolhas foram suas.

Nenhum pai ou mãe cria filhos para ser infeliz, essa é uma frase que uso como mantra, mas não adianta, os filhos escutam até um cachorro latindo na rua, mas não escutam os pais e quando fracassam são os primeiros que os culpam, fica mais fácil né.

Sim, criamos uma geração de imbecis, sem norte, que acham que o mundo foi criado para servi-los, e a culpa é nossa, que resolvemos fazer tudo ao contrário que nossos pais nos ensinaram, nosso pais mostraram desde de cedo o quão cruel o mundo pode ser e nós na ingenuidade facilitamos a vida de nossos filhos, achando que o protegeríamos.

O resultado está a olhos vistos, claro que existem as exceções, mas a maioria dos pais já se perguntaram, onde foi que eu errei? Está aí nossos erros, facilitamos de mais a vida dos filhos, agora eles escutam narrativas de amigos, da televisão, da internet e tem aquilo por verdade, sem ao menos questionar, buscar informações, porque SÃO OS DONOS DA RAZÃO E DA VERDADE E SÓ SABEM RECLAMAR, perderam a capacidade de amar incondicionalmente, perderam a capacidade de escutar o outro, de se comover com outro ser humano, muitos vivem no mundo encantado do Bob.

Não sei se irei ver a gerações de netos e bisnetos, espero que os pais despertem e entendam que ser pai e mãe não é apenas proteger, dar estudo, mostrar o que é certo e errado e dar amor e carinho, ser pai e mãe é mostrar que existem as frustrações e eles precisam aprender a lidar com elas, que os amigos não são sua família,  que nem tudo vai dar certo, que a moça não vai te amar como você a ama, que seu chefe não terá pena de você, se você chegar atrasado, que chorar por um gatinho abandonado é válido, mas se comover com uma criança passando fome também é triste e merece atenção.

Toda a família tem problemas, nem tudo sai como planejado, mas o amor deve sim prevalecer, o amor de um pai e uma mãe vai continuar sendo incondicional, independentemente da idade que os filhos tenham, seremos pais e mães até depois da nossa partida e sempre desejando… a felicidade dos filhos. E filhos chegou a hora de crescer, despertem.

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